O texto a seguir integra o livro “Ser prenda, ser peão” da Editora Pragmatha:

Minha trajetória como prenda começou na cidade de Sapiranga, por volta dos meus cinco anos, quando recebi o convite da ‘tia’ da creche para ir conhecer o CTG. Comecei dançando na invernada mirim e logo em seguida passei a integrar o departamento cultural da entidade. Participei da fase interna do concurso de prendas nas categorias simpatia e mirim, depois na fase regional na categoria mirim por duas ocasiões, até que em maio de 2003 conquistei o título de 1ª Prenda Mirim do Rio Grande do Sul.

No ano de 2004, logo após me despedir do cargo de prenda estadual, passei a integrar o CTG M’Bororé, de Campo Bom. Representei-o como prenda juvenil e adulta na fase interna e regional. No ano de 2007 participei da fase estadual da Ciranda Cultural de Prendas, conquistando a 6ª colocação na categoria juvenil; em 2017 fui eleita 1ª Prenda do RS, uma conquista inédita para a entidade e região. Em se tratando da invernada artística, tive dois momentos marcantes: o Festival Nacional do Folclore de Olímpia/SP, em agosto de 2005, e o meu primeiro Enart pela entidade, em 2014.

Uma das minhas maiores alegrias na trajetória de prenda adulta foi ter resgatado o departamento cultural da entidade, como principal projeto do prendado interno. Acredito que nenhum galpão sobrevive sadio sem um departamento cultural ativo e motivado. Esse departamento não precisa realizar grandes feitos, mas ele precisa ser útil e solidário para com toda a estrutura da casa tradicionalista.

Já como prenda regional adulta, o maior desafio que enfrentei foi fomentar a participação das entidades nos eventos culturais e, como gestão, conseguimos isso propondo aos culturais uma gincana com provas internas, voltadas para o fortalecimento da cultura e de ações sociais. O resultado foi muito satisfatório tanto para a gestão, quanto para as entidades. E o prestígio para com os eventos regionais permanece forte após isso.

Outro momento marcante na categoria, já como 1ª Prenda do RS, foi a participação no Rodeio Nacional dos Campeões e Encontro de Jovens, em Querência/MT. Lá pude debater junto à juventude do Brasil os desafios encontrados pelos departamentos culturais em cada Estado.

Todas essas experiências me fazem perceber que o maior desafio enfrentado na minha caminhada de prenda foi estar lado a lado com grandes lideranças, e, graças ao cargo ocupado, ter oportunidades únicas ofertadas a mim, sobre as quais gosto de pensar que fiz uso proveitoso e correto. Creio que isto tenha inspirado o texto base do tema anual do MTG de 2018: “Unindo Gerações para construir o amanhã”, que foi escrito por mim e proposto pela Gestão Estadual, e que saiu vitorioso no pleito.

Ser prenda é a representatividade do que a mulher gaúcha foi, do que ela é e do que pretende ser. Um exercício diário de motivação, compreensão e conhecimento do papel da mulher na sociedade e da prenda no meio tradicionalista. Além disso, também é um desafio fazer dessas duas representatividades uma só.

Por tudo isso, pelo tanto que ser prenda representa, é que findada a gestão estadual passei a enfrentar um novo desafio: me colocar novamente como mera tradicionalista. Depois de vinte anos de concursos culturais, finalmente sem a faixa, tive uma nova percepção das relações e interações sociais, e de como ambas se modificam ao longo dos anos.

Mas graças ao que construí ao longo desse tempo, sinto orgulho em dizer que a militância permanece e que encontro oportunidades para trocar ideias e conhecimentos com tradicionalistas daqui e também de outros estados brasileiros, como São Paulo, Mato Grosso e Paraná, os quais tive o prazer de visitar e explanar sobre esse fenômeno social e cultural que vivemos, que é o tradicionalismo organizado.

Por tudo que os concursos culturais já contribuíram na minha vida, fica aqui minha mais singela gratidão e também um pedido: ser prenda e ser peão é um processo constante de aprender, experimentar, conhecer, sacrificar, militar e acreditar. O mais importante no ser prenda e ser peão é amar a cultura que representa e abraçar nossa ideologia. Pois, acima de tudo, somos a representatividade do todo. O trabalho coletivo flui na mesma medida que o indivíduo amadurece o seu próprio ser. E esse é um dos maiores presentes que essa experiência trará. E talvez, se por nada mais, só esse presente valha muito a pena.

Renata da Silva
Campo Bom/RS – 30ª RT
1ª Prenda Mirim do RS 2003/2004 – 1ª Prenda do RS 2017/2018

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